Apesar da fome e sede, agricultor perdido na floresta do Amazonas acreditou ter sido guiado por um “sinal divino” que o salvou após três dias lutando pela vida.
O agricultor Sérgio Dias da Silva, do Amazonas, desapareceu após ser atraído por “visões” misteriosas. No fim da tarde do dia 4 de outubro, ele deixou sua casa na comunidade Canoas, em Presidente Figueiredo, e entrou na mata sem imaginar que se perderia por tanto tempo.
Visões que levaram ao perigo
Sérgio contou que viu imagens que o chamaram para dentro da floresta.
“Eu estava em casa, tinha feito a janta, quando essas visões começaram a me chamar. Entrei na mata e me perdi. Tentei voltar, mas não consegui,” relatou ele.
Três dias com fome e sede
Durante quase três dias, Sérgio enfrentou fome, sede e os desafios da mata fechada. No primeiro dia, encontrou uma pequena fonte de água, mas depois passou dois dias sem beber nada.
“Mastiguei uma orelha-de-pau para aliviar a sede, mesmo machucando a garganta,” disse, mostrando os ferimentos.
Abrigo e perigos da floresta
Apesar do cansaço e dos ferimentos, ele se manteve firme, buscando abrigo sob troncos caídos e evitando animais perigosos.
“Não tinha medo de onça, mas de cobra sim. Dormia no chão, coberto de folhas. Os carrapatos eram tantos que pareciam formigas,” contou.
Caminhada e desafios no segundo dia
No segundo dia, Sérgio percorreu mais de 30 quilômetros tentando achar o caminho de volta, mas se afastou ainda mais.
“Foi o dia mais difícil. Tentei atravessar uma pedreira, mas desisti. Se não tivesse parado, acho que não andaria mais,” lembrou.
Sinal divino que salvou
No terceiro dia, ele recebeu um “sinal divino”: uma luz que indicava a direção certa para sair da floresta.
“Vi uma seta no chão, como se um anjo estivesse me mostrando o caminho. Segui por ali e encontrei a saída,” disse.
Resgate e emoção na comunidade
A comunidade Canoas, com apoio do Corpo de Bombeiros, Defesa Civil e cães farejadores, iniciou buscas dois dias após o desaparecimento. Sérgio foi encontrado debilitado, mas vivo, em um igarapé próximo.
“Estava lavando meu calção para atravessar o rio quando vi as pessoas na margem. Foi uma alegria enorme para mim e para eles,” relatou.
Cuidados e agradecimentos
Ele foi levado ao hospital, recebeu soro, comida e cuidados médicos.
“Agradeço a todos que me ajudaram, sem eles eu não estaria aqui hoje,” finalizou emocionado.

